terça-feira, 15 de maio de 2012

A Ambição Inconsistente, de Touro

" Tu Touro, terás como missão domar sua espiritualidade "


-- Como toda vida, a paixão tem seus altos e baixos. Mas eu sei que ninguém vive do insubstantivo, então prefiro erguer as paredes pra depois convidá-lo a entrar.



" Todos os mistérios soterrados pelo tempo e pelas canções estão eternamente enraizados sob a terra. A terra acolhedora, misteriosa. Uma constante inigualável que carrega consigo os segredos das civilizações desacreditadas pelas secas, e inundadas de místicos arroubos tectônicos.

E como a terra em busca de segurança e estabilidade, faço-me concreto, convicto, invicto, contacto. A maior força da natureza que suporta em todo seu globo as andanças das gerações consumidas pelo ódio e pelas vaidades.

Eu sou o portifólio perfeito de toda criação. Ponto de partida das trajetórias austrais dos arranha-céus.

Como o chão que necessitamos sob os pés, minha conduta adere os continentes em torno do mesmo sofrimento ponteagudo - A estabilidade.


Como o solo que ora te atinge violentamente com seus terremotos varonis e suas erosões apocalípticas, meu espírito abundante de heroísmo e sofreguidão culpa-me pela persistência descomunal e eterno amparo. Sutil como a areia que consome as civilizações egípcias, mas ambicioso como as rochas que impiedosamente se sobrepõem às suas vontades.

Eu sei que amar fere e solidão castiga, mas um reinado não faz-se de sonhos. Guerras são necessárias tanto pra conquistar os campos mundo à fora, quanto pra erguer seu próprio lar de sensatez.

Meu charme não está nos cabelos que distoam os oásis do saara, ou nas mãos que carregam os tijolos pela vereda. Beleza é fundamental, e assim como um porto-seguro sobre incomenda, deve ser moldada com perspicácia, paciência e exatidão. Afinal ser escravizado pelas aparências é o pior castigo que pode-se aguentar.


Toda alma taurina renasce instintivamente para construir sua própria fortaleza. Essa que deve resistir ao purgatório cósmico das desventuras e impíedades mundanas.

Admito que muito já fui iludido, mas como um Touro que reúne sua mais vital força afim de enfrentar o obstáculo com devaneios psicodélicos, todavia centrados, sei que os olhos da esfinge não me fitarão mais com seu cinismo embecado e sua adaga de sopetão. Farei da tourada, um jogo.

Se queres fazer parte desta história, aguarde-me. Lapidaremos nosso próprio conto e, como a maresia que enferruja o passado, desentortaremos a vida. Como raio de luz que reanima os campos. O pátio exorbitante de carícias e ganâncias taurinas.


A força não está com aqueles que esnobam os fracos ou com sua prepotência divina.
Afinal, forte é o guerreiro que consegue erguer seu palácio e não morrer no seu próprio abandono. "

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O Impulso... Ao Precipício, de Áries:

" Então deixo dito que tu Áries, terás como missão mostrar o caminho da evolução. "


-- Como toda vida, a paixão tem seus altos e baixos. O que eu faço é não pensar se vai valer a pena. Eu apenas me apaixono, e isso diz tudo.



Como o fogo que serpenteia o horizonte em busca de aventuras infames. Como a flama incendiária de gloriosas vitórias e duvidosas derrotas que queimam no alto da colina. Como os vagalumes flamejantes que dançam ao redor da fogueira num culto à coragem e ao ímpeto guerrilheiro. Este sou eu. Sem medo do desconhecido. Inovador que desbrava as selvas do século 21.

Meu espírito é viajante, honrador, todavia impiedoso e usurpador. É das desventuras que se provém o fel excitante da nova batalha. Cada conquista trata-se do alimento ao ego. E cada coração devorado, me traz a plenitude dos campos Elísios.

Não posso prometer a estabilidade da infinitude jovem em teus braços, mas garanto que os momentos abarcados pela labareda de fulguras que é meu coração, te acorrentarão ferozmente na minha jaula. Eis a casa nova dos sonhos. Mas não se engane! Eu estou sempre de mudança.
Afinal, eu sou uma explosão enérgica e incontida de fluídos canibalistas.
Ele diz "vá". Eu não vou.


O sucesso é pura consequência da minha voracidade, e quando eu quero algo, não trata-se apenas de querer. Torna-se uma necessidade! Porque eu preciso provar pro mundo e pra mim mesmo que a caça só existe quando um bom caçador está um passo à sua frente.
Ela diz "vá". Eu não vou.


Não é egoísmo ou deveras ciumeira e coisa boba. Mas se tu queres comer, abata a presa antes que ela te roube a honestidade. Não compartilhe-a. Compartilhe-se.
Minha fome estratosférica de jogos reiniciados e de coreografias decoradas e redecoradas é maior do que eu. Maior do que tu!
E certamente não há paredes que me detenham, afinal o muro só é alto demais quando tu não estás realmente disposto a pegar o que tem do outro lado.


Ele diz "vá".
Eu já fui. "

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Crônicas do Estado Cinza:

Sentado sob a sombra de uma imensa cerejeira, buscava dentro de mim, e em todas as coisas, um real sentido à vida -- Dentro em nós as coisas se escondem. Apesar do incrédulo sentimento de fraqueza, achei que fosse possível justificar meu comportamento, como que dividindo-me em dúzia de pólos, através da criação de uma história. E foi então que as vidas nasceram. Num conto equivocado e caótico, mas que fez-se ardiloso e ardente, como chamas dançantes sobre o vento, que perfuram o horizonte.

Ninguém é constante e inoxidável. O tempo traz consigo a mutação necessária e o aprendizado. A sabedoria que mutila os jovens e a arrogância que desestimula os velhos. O tempo é o pêndulo necessário que criei. Balança de lá pra cá e de cá pra lá, sem nunca encontrar seu ponto de partida ou de chegada.

E as aulas que tentamos evitar, mas que nos arrastam como vagalumes incandescentes e desonestos, um dia serão recordadas como que se fossem longínquas e tênues. Mas a linha que enlaça o cosmos é feita de ilusões rasteiras. E nunca estaremos longe o bastante pra esquecer, nem perto demais a ponto de ignorarmos.


E no final só o que importará é a soma de todas as pessoas que aprendemos a ser com o tempo. Sem medida certa. Sem hora marcada. O momento chega. Sutil como o bater de asas de centenas de borboletas que carregam em suas luzes o mistério ancestral da teoria do caos.

E eis que naquela tarde, sob àquela cerejeira, vi-me em confusa sub-análise titânica (com o perdão dos Deuses, é claro). E disseram então que o mundo gira. Foi então que uma a uma arranquei da alma, partículas pequenas, mas vibrantes, de tudo que sempre fui e ainda hei de ser. Afinal, que pode o homem fazer além de girar, e amar?


Tais 12 novos pedaços poderiam trazer consequências mártires e arrependimentos mil. E tão logo notei que as cicatrizes não seriam curadas pelo algoz do tempo, e uma hemorragia transcendental que fez-se nostálgica... Todavia fulminante. O reinício deveria ultrapassar as 12 novas esferas, e se assim fosse contemplado com a vitória, todos os segredos da vida e da morte seriam revelados.


Como uma viagem que tem por ponto de partida a própria existência, o ciclo deve começar. Eis a mais selvagem e fugaz anatomia do medo. A reinvenção das eras. Carregarei comigo apenas um caderno em branco, afim de esculpi-lo com as histórias que adiante serão narradas. Os versos se farão vivos como pena de fogo, através das andanças e desilusões vivas da carne.


Certo ou errado podem transbordar do meu peito, e os olhos que foram reimplantados pela loja de corpos que é o destino, fitarão as galáxias numa explosão estelar de um mundo varrido em subterfúgios. Passo a passo, o guerreiro mais leal do tempo, untado de sua foice celestial decepará as asas negras da verdade. Uma a uma.


E que assim seja feita a vossa vontade!



...Vamos ao Início...

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Últimas Confissões da Pista de Dança -- O Teu Silêncio Não Traz Paz:

Escrito no dia 19.04.2012

"Peço desculpa pela sinceridade exagerada que fere e pela falta de atitude que desmotiva.
Sempre tive problemas com auto-estima, e mais ainda com alteração comportamental.
Algo em mim insiste em tentar mais uma vez, e prometer pra si mesmo que fará diferença.
Mas não faço.
Algo em mim tende a um lado corrompido. Fogo e espada se fundem.
Algo em mim morre, todo dia."





Eu tava tão acostumado a estar rodeado de pessoas (mesmo quando isso me repudiava), que agora não há multidão que os substitua. Acho que enfim eu consegui. Desejava tanto o afastamento que conquistei a solidão. Ter cuidado com o que se deseja é a lição do dia, afinal.

Eu não sei como e nem quando ao certo, mas parece que só agora realmente entendi o que é solidão. E o quanto ela te consome no silêncio. E justo agora que percebi que a presença das pessoas faz falta. Eu preciso ser questionado. Duvidar. Odiar. Apaixonar. O estilo auto-suficiente era objetivo único de vida. Agora não sei mais.

Acho que finalmente posso descrever a sensação da pista de dança: Me sinto abraçado por todos! Como uma droga que dá prazer momentâneo, eu desejei a eternidade da noite. Mas ela acabou. Como meu castelo de cartas. Desabaram. Ora, seria eu só mais um carente inconformado?

Um a um. Meus soldados morreram. Ou renunciaram. Tão rápido e letal que nem vi. Nem senti. Aconteceu. Como fluído intravenoso que primeiro anestesia a dor e depois frustra o sub-ataque interno. O vírus aglutinador dos sonhos. Sangue na pista de dança! - Gritou um. Terapia do singular. Sem guerreiros não há guerra afinal.

É tarde demais pra lembrar a falta que cada peão faz ao meu tabuleiro. E seria hipócrita dizer que eu mudaria as coisas se pudesse. Porque eu não mudaria. Só com a dor aprende-se a esquecer. E a dor acabou.

Eu não vejo mais motivos pra confessar os erros e aprendizados dessa pista de dança. A música acabou. As pessoas foram embora. Logo as luzes serão apagadas. É difícil acreditar que a minha festa termina assim. Mas velhos hábitos são sempre flamejantes.

Sentado neste canto onde o neon ainda ilumina os quadrados, eu vi um mundo todo passar sobre este chão. E agora eu não consigo mais levantar. Não tenho forças pro próximo round. W.O. ao esquecimento.

Nunca fui bom com despedidas, e praticamente disse tudo que tinha vontade. E mesmo aquilo que não foi fito foi memorável. Tudo, pela poesia que não teria fim...



...Mas afinal, como poetizar sem poeta?





terça-feira, 24 de abril de 2012

Confissões de uma Pista de Dança -- Corra Estrela Cadente, Corra!

" O pedido parecia muito simples, e a escolha a ser tomada mais ainda. Mesmo assim eu tremia, como na minha primeira vez. Relutava. Não é o tipo de coisa que se perde o medo com o passar do tempo. Passado e futuro te esmagam como verme. E presente não há -- A mutação é constante demais pra isso. E ainda que os livros insistam, nem todo conto de fadas tem final feliz. Eu sei. Só é difícil aceitar que amor não seja tudo. Porque deveria ser.


E como um poeta que tem suas palavras roubadas pelo acalanto da noite, corpo e alma brigaram. Romperam sua ligação jamais vista ou entendida. E eu, como amante inocente e sonhador, vi minhas estrelas despencarem sem luz. O beijo traidor da poesia vazia fez-se vivo. Fervoroso. As estações se embaralharam e o luar dormiu. Eternamente.


O adeus estava ali. Como sexo congênito. Vulgar. O fim era óbvio. Palavras sobravam. Sentidos anestesiavam. O abraço enfim fora recebido, como favor prestado e prazo findado. Sombra e luz ainda brigariam. Mas eu não estaria mais ali para assistir."

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Confissões de Uma Pista de Dança - A Quase Última Playlist do Dj (Prólogo Final):

Eu poderia ser melhor. Não sei onde, mas poderia. Faltou humildade pra diminuir esse poder visionário que carrego nas palavras. Faltou auto-estima pra combater as tolas adversões que todos se pegam refletindo. Corpo e alma poderiam se entender melhor, e eu poderia ser menos exigente comigo mesmo e com o resto do mundo. Poderia ter criticado menos e agido mais. Até diria que gripes e resfriados me afetariam mais constantemente, mas agradecer aos remédios que me curam não seria ruim. Eu poderia ter sido menos romântico e utópico, e ter encarado a realidade sem pintá-la e bordá-la tanto. Mas poderia também esquecer da verdade, vez que outra, e fingir que o amor daria certo. Vai que desse mesmo?! Não dá pra controlar tudo a sua volta, nem fazer com que as pessoas ajam de acordo com a sua vontade, quando você quiser. E tudo acontece rápido demais. No fim, os planos que você tanto bolou, podem não passar de empecilhos que ocuparam seu tempo. Eu não fui tão corajoso quanto pensei, nem tão bonito, nem tão feio. A medida certa era o que importava. Nem a mais nem a menos. Optei por combater a hipocrisia (apesar de tê-la como cúmplice às vezes). Até tentei mudar o mundo, começando pelos seus habitantes. Mas às vezes me senti bom demais pra ser como os outros. Achava que fosse melhor. Sem tanto medos, preconceitos, futilidades. Foi aí que o tal de amor chegou pra me bater sem pena. Me atropelou e demoliu todas as razões que eu demorei tanto pra erguer, como carapaça. Erguei-me novamente então. Achei-me fraco demais pra combater o mundo lá fora. Não era tão belo quanto o espelho sussurrava timidamente, nem tão esperto. E tratando-se de um mundo onde as aparência são tudo, senti-me acuado. Tão logo percebi que força e fraqueza são pontos de vista questionáveis. Nada é tão definitivo. Extremista. E goste ou não da minha beleza, inteligência, ironia, o mundo me fez assim para enfrentá-lo. E eu sei que desapontamentos me derrubarão e sonhos podem não passar de miragens e me confundir, mas se eu devo ser diferente, o mundo terá que me bater com mais força da próxima vez.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Confissões de Uma Pista de Dança -- A Quase Última Playlist do Dj (Introdução) :

" Um sádico comportamento, quase sempre mal visto, não acelera a degradação de fato, e os pilares podem ruir antes mesmo de admitirmos que estamos fazendo tudo errado. Mas há quem ouse dizer (e eu de concordar), que cada dia passado sem uma gota de redenção certeira, porém verdadeira, corrói a vida toda, pouco a pouco. E o tempo passa. Desapercebido, sutil como uma febre exorbitante que nasce numa infecção adiposa, mas arrasador, como uma gangrena generalizada devido maus cuidados. E o tempo passa. Rápido demais pra que se perceba as inflamações assintomáticas do bom gosto. E logo vem a queda!

E só quando o caixão se fecha perpetuando a inutilidade cardíaca e dos demais mecanismos, é que aquele sorriso gratuito da infância, a ira desastrada da adolescência, e até porque não os problemas que parecem insolucionáveis da vida toda, soam saudosos e tão próximos... Mas eles também passam, e só o que resta é a culpa e o remorso da vida não vivida, e a saudade, que será carregada infinitamente como uma cruz em suas costas, enquanto as lembranças te açoitam, e a nostalgia prega seus membros, um a um, numa punição cármica, nem sempre merecida, mas coagida de um tempo quase apagado pela neblina do infernal arrependimento... Do qual você rezará (porque agora terá fé), pra que um dia acabe."

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Confissões de uma Pista de Dança -- Músicas pra Você, Verdades pra Mim:

Sempre foi difícil aceitar os fatos e tentar me entender. Parecia tão mais fácil fingir que os receios eram contos (embora tão reais e presentes) que logo eu me tornei aquela figura distante e vazia. Então eu sou o culpado, certo?

Eu nunca quis ser esse destruidor de corações. Mas de alguma forma aprendi muito com cada pedaço deles que carrego até hoje. Mas sempre como um imenso quebra-cabeça que falta uma peça. E outra. E mais uma... Cada lasca afetiva que mutilei levo comigo nos bolsos. E devo dizer, eles estão pesados.


Eu não sou vítima! De certa forma agradeço pelas hostilidades, afinal toda armadura antes de ser ideal, deve sofrer na moldura incandescente. E verdade seja dita, a vida não é fácil e ponto! E se fosse, onde ficaria a diversão? Eu só queria mesmo ter mais argumentos a meu favor. Menos contrapesos sabe?! Mas nesse julgamento eu já fui carta fora do baralho há muito tempo... A diferença do antes pro agora é que dessa vez eu sou aquela carta que guardamos na manga. O trunfo. O ultimato. A saída. E seja ela qual for, tenho que jogar com o que tenho: Sarcasmo Competitivo. Afinal de contas, o jogo é um liquidificador imperdoável.


Eu só queria que as coisas realmente fossem diferentes. Nada é como deveria ser, e isso me mata aos poucos. Tudo desencadeou uma série de acontecimentos (alguns já citados no decorrer do tempo), que fez com que eu me destruísse por completo, quando entendi que o errado sempre fui eu. Então o encrenqueiro morreu? Sabe-se lá né.

Em contrapartida, comecei a me remontar minuciosamente, com peças planejadas. A vida fez isso comigo. Aprendi por conta própria a controlar as emoções, evitando as fraquezas.


E eu podia ter me saído muito bem. Tudo daria certo, mas foi então que tudo aquilo que tu me disse me atropelou como uma irônica recordação: "Podemos até superar as falhas e lidar com os erros, mas mesmo que tentemos esconder, lá dentro, outra fraqueza nascerá só pra nos provar que não passamos de brinquedos... Eternamente inacabados."

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Confissões de uma Pista de Dança -- Total Eclipse do Coração:

"Esse não é um conto convencional, e as luzes ou as trevas por vezes podem se confundir em meio a este labirinto de espelhos. Eu poderia fugir a tudo isso e fingir um novo mundo, mas eu sou um romântico insaciável, e minha fome pelo engano está envaidecida. Afinal, todos gostam de ser enganados. Desde a soberba mais lúdica, ao canto mais onipotente de exaltação divina. O engano está na verdade. Na mentira. Haja onde estiver, só quando se ama se constrói... Ou destrói. "

As escadas erguem-se sob o céu, e o ponto de partida é como as nuvens negras da tempestade que se aproximam. Pouco a pouco os ventos mandam a notícia da reviravolta. E dito e feito. Bem como sob o temporal, as histórias encharcaram minha alma de recordações recortadas de sonhos. Resgatas de um subconsciente privado. Atado. Mas ainda assim lá está ele. Despontando. Desregulando...

Perante o medo, eis a fraqueza. Nunca fui forte como bradei, nem tão puro quanto diriam, mas a culpa não se faz minha se eles idealizam minha vida em listras horizontais e anil. Afinal, o mito narrado em poesia constrói-se sobre qualquer direção. Mas o retoque do poeta só é dado de fato àquelas obras consideradas exuberantes. Viçosas. Peçonhentas. Bem como só costuramos os atos que foram partidos pela violenta tsunami do arrependimento.

Agora pare o mundo! Ouça as preces com atenção. Cante sobre a melodia. Arranjo. Sinfonia. Permita-se escutar. O vai e vem de traições e amarguras é que movimenta os contos. Ninguém consegue ser de verdade, então descansemos na pele açucarada da primavera. Banquete matinal da inveja.

Toda história carece de bons ruídos. Veracidade. O perfume que inconscientemente revela traços de personalidade... E toda essa baboseira só faz sentido porque é o que queremos tragar. Engolir. E lá estão todos, esperando uma intervenção divina. Mas ela não chegará.

Do holofote das passarelas à penumbra gelada do cemitério. Basta um passo. A escolha equivocada. "Então grite, mude." - disse ele. Mas a mudança não chega. Ainda que eu pudesse (e posso) evitar, meu conto se conta sozinho. Não é da minha mente que sai. Nem do total eclipse que é meu coração. Porém, palavras fundamentadas em anseios descrevem uma vida. Bastaria pouco mais que 3 minutos, como uma canção, pra eu te convencer das nossas semelhanças (e extremas diferenças).

E o truque é muito simples. Não é magia ou milagre. Basta voltar ao início do labirinto, quando os espelhos pareciam inteiros e reluzentes. O problema são as batalhas alvoroçadas. As palavras ditas sem querer dizer. A falta de desejo me entristece. A aparente saciedade e o conformismo. De fato, a falta de vontade não construirá vidas ou mortes. Mas certamente fará perpetuar a prisão que nos rodeia. Os muros intransponíveis. A vergonha que temos de ser de verdade. E essa prisão sim, chegará.

E da prisão à liberdade, pouco se diferencia, quando dia-a-dia passamos a viver menos, e ainda digo mais, nos importamos às pampas com extremo orgulho, e a morte vem em ondas. Orgulho assassino. E nem de morte morrida ou morte matada cito e destaco. Trata-se de morte encomendada. Aguardada. Porque quando sorri, vê-se uma brecha na aurora e bons dias enfim chegam. Aahhh dia bom!

E tic tac, big bang. As músicas perderam os nomes, e as batidas se depararam com uma fixação maluca de ausência poética...

Mas cá pra nós, joguem suas palavras e cuspam seus versos. Uma dia serei poeta e mostrarei o quão entorpecidos estávamos quando prometemos amor eterno. Eterno não passa de uma passagem de tempo inconsistente demais para que nossa coragem admita que é um risco. Risco esse que vale todos esses poemas... Ou não?!

Aaahh ironia agridoce, faz meu corpo todo destilar prazer numa história de boa tarde. Vizinhança venenosa de artistas e soldados.


PS * Quando o sol morrer, venha dormir no aconchego do meu coração traidor.


** Título em homenagem à Bonnie Tyler **

terça-feira, 27 de março de 2012

Confissões de uma Pista de Dança -- Toda Vida Começa na Primeira Viagem:

Toda alma é viajante. Cheia de sonhos, enganos, pesadelos. Bastaria um bom dia florido e tudo ficaria bem.
A viagem começa dentro de mim. Eis o passeio solitário, um 'olá' à vizinhança obscura das nossas ideologias. Quando menos se espera, lá está ele. Um tal pudor que antes adormecia. E como defesa única, claro, o ego. Nossa carapaça intransigente, eclíptica. Bem vindo ao ponto de partida.

Toda viagem, para que seja verdadeira, precisa de um passaporte notório. Aquele motivo incolor. Não basta os 'quês' e a 'quem'. Precisamos daquele 'porque' mesmo! E toda trajetória estará fadada ao fracasso, caso não esteja pronto a desafiar-se por completo.

Dentro em nós os sonhos são erguidos como arranha-céus dentre a virulenta hospedagem dos medos. Cá em nós, as esperanças abrigam bondosamente raios solares, mesmo com tudo batendo e gritando freneticamente - Fervilhando. Ainda assim, guardamos um espacinho especial para a fé.


E lá longe, no horizonte inesperado, a orquestra não pára. A sinfonia reluz as catedrais do meu coração. Bastaria então que tais músicos vestindo preto e ouro perdessem pouco de sua fé para que o arranjo perfeito de suas eiras e beiras transformassem-se num ruído apaixonante de canção fúnebre.


Aaahhh som de despedida! Desapeguei tantos nomes de sobrenomes e sobrepus tantas mentiras pra evitar que a dor se alastrasse... Eis o enterro dos heróis pela alma.

Ainda hoje as cicatrizes esternas refletem o alvoroço do meu sangue. A viagem já ultrapassara sua metade. Era hora de decisões em fogo de brasa. Mas a dor parecia forte demais. Ainda agora, ao reler meu conto, meus olhos enchem-se de lembranças mórbidas e recordações varridas do espírito. Refuga a felicidade e relembre os velhos tempos - disse. Os ventos de prata que faziam meu cabelo brilhar e meus joelhos tremerem... Amor sem dor é como roleta russa sem balas, afinal.


Toda viagem deve ser solitária. Em tal rua abandonada pelo crepúsculo das histórias que não se contam em livros, o vi despedir-se. Nada é fácil tratando-se de fim. Novo início. Novo adeus... Apenas uma noite nos separou da eternidade.

E mesmo agora que vejo a viagem chegando ao seu fim, não consigo mais parar. De que adianta felicidade solitária, afinal?

Mas toda viagem se faz necessária quando se precisa encontrar respostas. E mesmo que eu não as tenha, sei que cada fuga motivada pelos motivos mais fúteis e imperdoáveis será lembrada como início do desapego.

Agora, dentre todos estes túmulos que rodeiam a verdade, vejo que em cada um deles sepultei parte da minha vida.


Um a um os heróis tornaram-se vilões e as estrelas receberam seus próprios céus. Meus amores foram mutilados em sanguinário grito desesperado de liberdade. Minha infância fora inflamada num córrego maldito de hiperresponsabilidades. Meu caráter posto à prova em dilacerações físicas, escanteamento natural e gosto duvidoso por entorpecentes -- Pra mim, anestésicos da realidade. Da verdade... E meu talento enfim engulido em drama e abandono.


Talvez nem toda viagem necessite ser uma trégua alcançada numa tarde de outono, perante o pôr-do-sol naquele lugarzinho donde hei de descansar... Mas na certa toda viagem é uma guerra findada e um acordo perpétuo de novos confrontos que nascerão, viverão e morrerão.
Como que uma gaivota que leva consigo os ventos do sul ao norte, sem ofensas, sem segundas intenções.
Apenas uma viagem solitária.