Ora minha cara Flor de Lótus, tu acreditas em destino? Pois deverias...
Como já havia citado a garota das Meias Sete Oitavos, após uma terrível desilusão, prometeu jamais amar novamente. Mas pactos serão sempre terrestres, prontos para serem subornados.
Talvez um novo amor fosse o remédio capaz de reviver os sentimentos da promíscua Lótus. Mas talvez seja perda de tempo dedicar-se a uma falsa flor da noite. Enfim, para o garoto Peter Pan, amar nunca é perda de tempo. Afinal, depois de perder a esperança nos seus sonhos, restou-lhe o florescer de uma paixão.
O garoto dos Sapatos Vermelhos foi ao encontro da garota das Meias Sete Oitavos. Ela cuidava do jardim diariamente. E ele a observava com olhos de insana paixão. Trocaram olhares cúmplices e conversas de entrega. Com o passar do tempo, Lótus e Peter Pan traçaram uma estrada no jardim que terminava na Grande Cerejeira.
Coincidência (ou o implacável destino) plantou-lhes a mesma semente que semeara entre o jovem Coração de Leão e a menina da Íris Cor-de-Rosa.
Eles estavam dispostos a tudo. O garoto dos Sapatos Vermelhos conseguiu enxarcar a alma da menina das Meias Sete Oitavos de novas esperanças. Esta por sua vez, era uma eterna inspiração para ele.
Acreditas em destino, minha doce e desamparada Lótus?
Numa tarde, após um dia chuvoso, a adocicada Lótus resolveu surpreender o amado. Foi até a Cerejeira e pegou as duas cartas que haviam sido lidas. Estas cartas eram pura representação de uma história de amor. Então, após pegá-las, ela voltou ao entro de seu amante, desta vez indo pela estrada.
Em contrapartida, o gentil Peter Pan acorda bruscamente de um pesadelo. Era uma tragédia! – gritou ele. Para muitos apenas um sonho, mas para ele, um aviso, um chamado cósmico. O garoto correu ao encontro da amada.
Num olhar distante ao horizonte, os dois viram-se como num lampejo. E correram ao encontro um do outro. Era um encontro cármico.
Neste momento, a menina da Íris Cor-de-Rosa dirigia o carro que fora de seu pai. Enebriada pelo êxtase de estar junto ao seu amor. Tal êxtase tirou-lhe os sentidos. Uma tragédia!
Num repentino segundo, um clarão. Aos céus, rasgando o Arco-Íris, voavam duas cartas, uma rosa de bolso que o garoto dos Sapatos Vermelhos sempre levara consigo, e à terra capotava o veículo de tal Íris que perdia a Cor-de-Rosa.
Acreditas em Destino?
Quatro almas viajantes. Perdidas mas achadas. Quis o destino (ou talvez algo ainda maior) que se desencontrassem.
Nos últimos raios solares, vi ao longe uma Flor de Lótus perdendo as pétalas da última esperança, uma alma de Peter Pan aprisionando-se na maturidade e perdendo a infância, e tal Íris perdendo todas as rosas...
A morte não é o Fim. A morte aconteceu?