A menina da Íris Cor-deRosa, sempre sentiu-se incompleta. De uma maneira que nem ela mesma conseguia explicar, ela sentia-se sozinha e deslocada. Aos poucos, foi percebendo que todas as pessoas tinham seu preço. Mas ela resolveu que as pagaria com amor.
A jovem, questionadora por natureza, era uma artista. Insipirava-se nas mais longelíneas sensações, e assim escrevia. Seu amor pelas palavras era o único a qual ela considerava verdadeiro.
Quieta, de longe observava tudo, e assim tornou-se uma coadjuante na sua própria história de vida. Mal lembravam de seu nome, mas ela não se importava, afinal ela também não o conhecia. A menina que tinha a Íris Cor-de-Rosa como uma violeta selvagem, acolheu-se na luz das estrelas. Vez que outra, era possível pegá-la deitada, observando os céus. Por diversas vezes, viu o sol transformar-se em lua.
Era uma garota de sorriso brando e pela macia e aconchegante. Sua mãe dizia que ela sempre teria seu colo, para afagar-se.
Numa tarde de outono, a jovem recebeu a notícia que mudaria sua vida: Sua família havia morrido num trágico acidente, na qual ela jamais saberia detalhes, afinal após ouvir as palavras "eu lamento", ela correu. A menina correu para nunca mais voltar.
Após sepultar seu último sorriso arrastado por um mar de lágrimas, a menina pode ver no horizonte, um lindo unicórnio branco. Ela sorriu pela última vez.
Sentada na grama de lugar nenhum, onde as brisas pairavam sobre as folhas de cerejeiras que ali perpetuavam há décadas, a garota ficou. Tentava resgatar na memória algum bom momento, para alegrar-se. Não lembrou de nada. Só no que pensava, era que sua mãe havia lhe prometido companhia para sempre. Mas o para sempre foi um para sempre pela metade.
A menina da Íris Cor-deRosa levantou e correu. Correu como se soubesse onde deveria ir. Correu tanto que perdeu o rumo ( ou talvez o encontrou)...
Ao abrir a porta, viu o menino Coração de Leão com os pulsos mutilados e alma vazia. Os pulsos ela pôde curar, mas a alma dele estava longe demais a esta altura...
Passado o episódio, a menina sentia imenso orgulho do jovem Coração de Leão, e toda noite contemplava as estrelas e pescava novas esperanças.
Embreagada no êxtase das palavras, a menina não parou de escrever. Viu nas folhas que virava, um eterno refúgio, e assim mergulhou com todas suas forças. Foi o preço que ela tinha que pagar.
No dia seguinte, a menina havia desaparecido. À noite, duas estrelas brilhavam em seu apogeu, e um livro estava sob o tronco das Cerejeiras. Nele estava gravado o seguinte Epílogo:
" O Menino Coração de Leão e a Menina da Íris Cor-de-Rosa, uma Canção de Ninar".
Os Astros, brilhariam, enfim, juntos para sempre.