Se eu fosse um cronista talvez confundisse as pessoas com mais facilidade. É que as ações e futuras reações que são como pedras jogadas numa lagoa, não tem data marcada. Não são previsíveis. Então na véspera do dia 12, lá estava prestes a desenhar uma nova faixa atemporal.
Eu corri. Escondi-me. Pensei ter fugido. Na verdade quando a adrenalina borbulhou até o meu córtex cerebral eu já tinha tomado todas ... As atitudes precipitadas e descabidas que eu poderia imaginar. Foi um estardalhaço. Uma zona de guerra.
Eu disse, no início, que era um soldado refugiado de uma guerra. Mentira. Nunca travei batalha alguma. Sou um desordeiro quase apaziguador. É tão deprimente ser um trovão guardado no bolso, que eu preferia explodir agora. E talvez tudo fizesse algum novo sentido.
Eu queria ter crescido construindo sonhos e cultivando novas imagens inesperadas -- Bem, talvez criando essa mentira um dia talvez eu me convença.
Eu havia perdido. Fui derrotado pela falta de força. Fraqueza é pouco! Sou tão incerto quanto um vagalume bêbado e sem luz. Meus prismas sempre foram invertidos, e quando dei conta, subi os 12 andares tão rápido, que cheguei ao topo caçando oxigênio nas luzes de lá de cima. Joguei-me ao chão e engatinhei, até o parapeito. Eis a ponte dourada que eu sonharia. Traguei mais oxigênio e raiva. Era como um combustível. De olhos fechados as lembranças eclodiam. De olhos abertos, as luzes me hipnotizavam e convidavam para uma dança aromática. Lá de cima me sentia forte, seguro. Mas logo o líquido vermelho que nos une por laços humanos escorria através do meu pulso direito. Banhei-me de glórias, enfim.
Eu disse "eu perdi tudo". Mas que tudo? Jamais havia tido metade de qualquer coisa. Não cultivei uma porção de coisa alguma. Não chorei por dores, não sorri por amores. Era um cão que apenas ladrava, correndo atrás dos carros. Mas se um carro, um dia parasse, eu não saberia o que fazer.
Agora já com o tal fluido rubro banhando e tingindo minha coerência, arriscaria pensar em arrependimento. Mas arrepender de que? Eu pedi para que ele agarrasse-me e não soltasse. E se por ventura soltasse, que levasse embora junto meu ar. E assim o fez.
Tonteei. Sentei. Cabeça baixa, vendo pingar gotas do tempo que minha testa carregavam. Olhei ao redor como uma criança que procura ter certeza de que está sozinha para aprontar alguma. E sozinho estava. Como de costume. Como reconforto. Véspera e dia formaram uma simbiose assintomática na minha consciência, e tudo passou-se depressa. Tão logo.
Recordações, como fotografias me estamparam. De um ontem ilimitado. Garrafas que bebi, desamores que bebi, laços e entrelaços rompidos, inexistentes. O cão se achava bom porque tinha a melhor rua. Mas o cão era apenas um qualquer, que corria como vira-lata, e cheirava como vira-lata. Vítima de si mesmo.
Foi então que após flertar com todos esses espectros (nisso eu era bom), aceitei o pedido, e saltei para a pista de dança, onde o sangue agora parecia mais real, e anestesiava antebraço, ombro e visão. Eu era um cão vagabundo, um dançarino poligâmico, um soldado no exílio e um órfão da vida. Era, agora, Clive B.
Ótimo texto! Amei a imagem do cão que corre atrás dos carros... se o carro pára, ele sai correndo para longe.
ResponderExcluirOlá Luiz!
ResponderExcluirMuito obrigada por ter gostado do meu artigo sobre HOTD. Fiz o possível para que o texto ficasse atrativo e incentivasse as pessoas a conhecerem ou quem conhecesse, a opinar. Vc está seguindo meu blog? Não apareceu n o meu painel de Seguidores. Já estou seguindo o seu o/
e gostei muito da sua narrativa nessa crônica. Visualizei toda a cena ali e a esperança do personagem ao final,optando por sua escolha.
bjs
Que testo ótimo, gostei. bjs
ResponderExcluirhttp://no-planetaroom.blogspot.com
Oi Luis
ResponderExcluirObrigada pelo carinho no meu blog.
Uma bela crônica. Um texto atraente que prendeu minha atenção do início ao fim. Um abraço
Gracita
Oiii :) obrigada pela visitinha no blog :D
ResponderExcluirVocê tem um lindo dom. Escreve muito bem. Parabéns ;)
http://deliriosdepaty.blogspot.com.br
Olá meu amigo! É um prazer vir aqui! Você tem um dom nato para a escrever crônicas... Muito bem escrito e desenvolvido! Parabéns! Prendeu minha atenção até o fim! Muito obrigada pela visita e pelo carinho! Terei post novo 5ªF, dia 08/11! Te espero! Ótima noite! Abração!
ResponderExcluirElaine Averbuch Neves
http://elaine-dedentroptafora.blogspot.com.br/
PS.: Posso sugerir a você que desative verificação de palavras?... Facilitaria muito pra quem comenta!...
Clive!
ResponderExcluirComplicado perder, ainda pior é quando não se tem nem o que perder.
Eu gosto do que vc escreve.
Você e as palavras se dão super bem.Um texto magnifico.
Obrigada pela visitinha tha?
Bjos ótima noite e quarta feira cheia de benção.
Bom dia
ResponderExcluirOntem eu li o seu post.
O Senhor disse: Venha a nós o vosso reino, seja feita a tua vontade....
Dorli
Luís,
ResponderExcluirEspero que Clive B. tenha uma segunda chance.
Pra afastar os próprios fantasmas, descobrir o que precisa sobre si mesmo e recomeçar...
Talvez, seja mesmo preciso morrer para que isso aconteça.
Essa história é bastante intensa.
Você é um escritor incrível!
Oi Luís!
ResponderExcluirÉ nessas horas que sentimos não estarmos só, uma Luz misericordiosa sempre faz com que voltemos à razão!
Esperanças sempre!
Lindo texto, parabéns e que você tenha um dia feliz!
Abraços,
Mariangela
Clive Amigo aqui estou com muito prazer viu...Veja bem Clive sempre terá uma nova oportunidade....É pensar na arte do encontro dentro de si ...para que toda força que chamas de fraqueza ...esquecendo um pouco da beleza dos seus sentimentos aflorem verdadeiramente e ai o encontro passa acontecer externamente também.....É fato que só se constrói algo sobre forças ...é fato que temos muitas e inúmeras fraquezas....Mais temos e aprendemos a transforma-las em forças....Meu amigo querido....A primeira pergunta que devemos nos fazer num momento onde precisamos virar a mesa é a seguinte....DE QUE NECESSITAMOS !!!...Pois É determine o que ...e se dirija firme nesta direção ...Você é um cara que escreve muito bem é extremamente inteligente tenho sim lidos seus textos ...desde que vieste aqui que percebi que és uma pessoa especial cheio de DONS...Eu já perdi tudo muitas vezes...E sabe Hoje penso quando perdemos tudo estamos melhores que aqueles que tudo tem ...poie estes tem muito a perder...nós que nada temos ...só temos a ganhar ...Um grande abraço do amigo e que DEUS te ilumine mais e mais viu Pedro Pugliese
ResponderExcluirOi Luiz!
ResponderExcluirAh! Obrigada pela sua visita e pelo comentário em meu blog!!
Luiz,
ResponderExcluirGostei muito deste texto, muitas frases me levaram a imaginar cenas! Tal com o "ser um trovão guardado no bolso, que eu preferia explodir agora." E tambem, no enredo, por se considerar um vira-lata. Acho que muitas pessoas se sentem assim algumas vezes.
Bjs
Correu, se escondeu
ResponderExcluirPensou ter fugido
Belo texto escreveu
Gostei de o ter lido!
Pela sua visita obrigado
Seu texto bem escrito
Com sabedoria publicado
Que por muitos seja lido!
Boa quarta-feira para você,
amigo Luís.
Um abraço
Eduardo.
Olá Luis. Obrigada pelo teu comentário no meu blog.
ResponderExcluirGostei da imagem do trovão guardado no bolso, por vezes somos isso mesmo, pretes a explodir.
Também gostei da parte do cão que corre atrás dos carros mas se parassem não saberia o que fazer. Também nós por vezes corremos atrás de coisas que se alcançássemos não saberíamos o que fazer com elas.
Um abraço.
http://falandocomosmeusbotoes.blogspot.com
OI LUIZ!
ResponderExcluirCOMO JÁ DISSE ANTERIORMENTE ÉS DOTADO DO DOM PARA ESCREVER.
CONSEGUES PRENDER O LEITOR, TRAZES PARA O MOMENTO COISAS QUE ESCREVESTES EM OUTROS CAPÍTULOS O QUE VAI FACILITANDO A LEITURA E O ENTENDIMENTO DO TEXTO.
NÃO QUERO CONFUNDIR TEU PERSONAGEM COM TUA PESSOA,POIS ASSIM ENTENDI TUA CRÔNICA, ENTÃO, TE DOU OS PARABÉNS, VOU TE SEGUIR E VOLTAREI.
ABRÇS
zilanicelia.blogspot.com.br/
Click AQUI
Menino, parabens pelo texto! Muito bom, de verdade! Obrigada pela visita ao meu blog, espero que tenha gostado e que volte sempre la ^^
ResponderExcluirBeijos :***
www.tahgarela.blogspot.com
Nunca travastes batalha nenhuma???
ResponderExcluirMENTIRA...travas todos os dias!
Por que deprimente ser um trovão guardado no bolso(achei lindo isso)e preferir explodir agora?
Já reparastes na beleza do trovão???
Tire-o do bolso, assim encantarás aqueles que te vêem...
Se querias ter crescido construindo sonhos e cultivando novas imagens inesperadas...ainda é tempo,não desista,faça!
Está mais que na hora de te valorizares...
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"Foi então que após flertar com todos esses espectros (nisso eu era bom), aceitei o pedido, e saltei para a pista de dança, onde o sangue agora parecia mais real, e anestesiava antebraço, ombro e visão. Eu era um cão vagabundo, um dançarino poligâmico, um soldado no exílio e um órfão da vida. Era, agora, Clive B."
Ao pensares que eras nada...na realidade tu és TUDO!!!!
Beijos...
Perdoe-me,por favor,por não ter aparecido antes,mas haviam derrubado meu blog e agora tenho um monte de coisas para por em dia...mas feliz demais por ter tu e todos os outros blogueiros e amigos de volta para o meu aconchego!
Beijão.....
Só posso dizer que seus post´s são incríveis,você consegue transmitir a cada um deles uma carga dramática que eu gosto muito.Me identifico com esta postura depressiva e esta visão caótica da sua realidade.Ainda bem que escritores, jamais morrem, principalmente os talentosos.Nelson Rodrigues: grande mestre no duplo sentido da conotação sexual.
ResponderExcluirE você iniciante corajoso no grande sentido da linguagem depressiva...Leia-se morte.
Abraço de quem te lê com grata satisfação.:-BYJOTAN.
Me identifico com o Clive em alguns aspectos, essa forma de ver o mundo e o pouco de melancolia que enxergo no texto.
ResponderExcluirEstá ficando melhor a cada parte, não tem como ler e não se imaginar na cena.
Meus parabéns, mais uma vez!
"Vítima de si mesmo."
ResponderExcluirTodos somos, basta apenas perceber.
A cada capítulo me identifico mais e mais com o Clive. Incrível como consigo me ver ver tanto nessas linhas, e mais incrível ainda é perceber o quanto consigo ser tola ao tentar fugir disso tudo.
Novamente um capítulo que me fez reavaliar tudo. Apenas eu.
Beijos, Gi.
Genial! Isto sim é saber escrever. Poucos assim se acham por essa bostofera (perdoe-me).
ResponderExcluirUm abraço!
Volto, com certeza.
Gostei do seu texto. Vi perfeitamente as imagens que você criou com as palavras. Isso é incrível! Adoro isso em um texto!
ResponderExcluirContinue escrevendo! Você tem muito talento!!
Obrigada pela visita e comentário no meu blog!!
Beijussssss;
http://universo-invisivel.blogspot.com.br/
Olá boa tarde pra você
ResponderExcluirVim agradecer as palavras de
carinho, tb´me conhecer seu espaço
e gostei desse texto valioso muito
bom mesmo, seu talento é divino
Abraços com carinho
Rita!!
(¯`v´¯)
`·. ¸.·´
☻/
/▌
Bem amigo Luís li todo o seu poster, se deseja a minha a opinião sincera eu vou dar, se não gostar do meu comentário, só tem uma forma colocar no lixo. 1º gostei do seu fraseado muito bem escrito não há dúvidas, sinceramente não sei escrever assim, como poesia achei muito bom, mas achei um pouco melancólico e rude, rude como se expôs,—Era um cão que apenas ladrava, —Há quem ache o texto divino, eu não, como disse é poesia muito boa. Esta é a minha opinião claro. Eu já sigo o amigo, estou na segunda ou terceira virada.Tudo de bom,um abraço.
ResponderExcluirAntónio.
Passando pra agradecer ao amigo! E convidar, tem post novo! Não tenho conseguido visitar a todos como gostaria.....
ResponderExcluirUm abençoado e feliz fim de semana!
Abraço fraterno e carinhoso!
Elaine Averbuch Neves
http://elaine-dedentroprafora.blogspot.com.br/
Obrigada por ter visitado o meu blog. Eu também estou te seguindo :D
ResponderExcluirAdorei os textos e o conteúdo do seu blog.
Bjs,
Lui Pimenta
Sentires à solta...emoções que não se conseguem calar.
ResponderExcluirUm texto que prende.
Parabéns!
Beijo
Sensacional o teu texto Luís!
ResponderExcluirEmoção do início ao fim. e um final muito interessante!
Adorei a tua escrita, prende, mantém a atenção!
Gostei! .))))
^^
Gostei bastante do texto.
ResponderExcluirJá estou lhe seguindo também.
O mundo sob o meu olhar
Uuauu um mimo, adorei cada capítulo desta história q vai desenrolando-se aos poucos, vc tem uma bela linha de raciocínio, sb prender a atenção de quem lê e isto é muiito bom, pra vc vai do tio Castanha um fraterno abraço tchê.
ResponderExcluirOi Luis
ResponderExcluirVocê escreveu uma crônica de estontear qualquer um, já tem emprego garantido no jornal, mas se escrever contos com todas essas potencialidades que tem chegará, com certeza, a se um grande escritor.
Há uma singela diferença entre crônica e conto. Crônicas são fatos isolados, tristes ou alegres que se esquecem facilmente, mas contos, quando realmente feito por um grande escritor, que futuramente será, jamais será esquecido.
Pense...
Parabéns
Você é alguém especial
Beijos
Lua Singular
Olá Luis.
ResponderExcluirOs teus textos prendem-nos do principio ao fim. Consigo visualizar tudo o que dizes, chega a ser estonteante. Isto sim, é escrever! Gosto muito da tua escrita, gostava de ler um livro escrito por ti.
Abraçoa fraterno e fica com um óptimo fim de semana, cheio de alegrias.
http://falandocomosmeusbotoes.blogspot.com
Olá Luís! concordo co as colegas blogueiras, você deverá seguir em frente. Escreve muito bem, escreva um livro , não perca tempo menino, você vai longe!! Adorei tua visita, se for teu aniversário Parabéns!!!! Se não, parabéns do mesmo jeito, você é maravilhoso!! Abraçoss
ResponderExcluirOi, pulei para o proximo capitulo,
ResponderExcluirconfusa, mas querendo ilucidar essa narrativa de
si Clive B....Vamos la?