sábado, 28 de janeiro de 2012

Confissões de uma Pista de Dança -- O Sono Eterno do Amor:

A morte iminente é uma grande preocupação. Algo tão incompreensível e misterioso, no mínimo tira a órbita de qualquer celeste figura.


A morte é o que de comum temos com o resto da humanidade. E num dia escravizado pelo abraço sinuante da grande galeria que é o pôr-do-sol, assistiremos o encontro inevitável do fim e início, tão próximos e tão distantes. Tão próximos que alinham-se no limite cósmico da renovação, à beira da eternidade. E tão distantes que desembaraçam a história, e pontuam em suas extremidades como bússolas equivocadas pela infinita mentira.


Eu castigo a carne. Dilacero e apreendo o pesar humano. Até mesmo o menosprezo. Essa sombra instigante e insípida de pecado. O resultado da desordem. O paraíso poderia ser refeito, emoldado. Mas para isso, a carne haveria de se extinguir. Assim, purificaria as terras com seu abandono, e santificaria as chamas com sua vulgar presença. Livrai-os de todo esse mal, agora e sempre!!


Eu castigo meu corpo. Culpo os batimentos cínicos de sangue que percorrem este labirinto hostil e mal acabado. Acorrento os braços pra que não mais toquem por tocar, e rasgo o peito, como flecha lançada, para retirar o ardor cardíaco da vida.


Aaahh por muito tempo lutei por esta tal vida... Por prazeres temporários e tempestuosos que pude almejar. Deitado sob os espinhos, vi o sol tornar-se lua e a lua tornar-se sol. Eis a magia atemporal dos astros. Mas qualquer aliança forjada pela lei dos homens tende a ser destruída. Não há nada que os pare. Não há nada que os convença. Dinheiro e sexo compram paz e justiça. E a vida não trata-se de beleza, fama ou poder. É apenas uma escola incerta pra morte. E não há nada de ruim nisso! Afinal tudo o tempo todo trata-se de se preparar para o desapego. Para o abandono material e físico. E por isso sou assim, livre e cruel. Não há nada que eu queira levar. Não há nada que me prenda, sobretudo a crucifixos e terços. Não mais evoluído que ninguém. Tampouco menos ruim. Mas eu castigo a carne, e além disso a culpo... Mas não guardarei rancor. A carne é vulnerável e limitada, mas eu enxergo além. E apesar de sempre ressoar com tristeza e pesar, a morte um dia será a saída ideal. O 'Gran Finale' elaborado minuciosamente.

Sem dúvidas, será lindo!



Então ele disse: "Tu ages como se estivesse brincando de ser Deus. Enquanto jogas esses dados, diga-me, como podemos saber que, mesmo com toda aquela neve que cai lá fora, ainda existe um mundo sob ela?"


E eu o respondi: "Eu não posso afirmar nada. E muito menos prometer. Mas eu diria que, enquanto estamos aqui, e tudo lá fora morre e vive freneticamente, o mundo gostaria de ter certeza que nós estamos aqui também."

12 comentários:

  1. Opa, valeu pela visita no Nick Sparks BR, siga meu outro blog.
    http://adpiagge.blogspot.com/

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  2. Oi Lulis,

    Obrigada pela visita! Estou te seguindo! Quanto ao post entendo que o amor já brinca de ser Deus.

    Lu

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  3. Brincar de ser Deus é uma das brincadeiras favoritas do ser humano. Mas a morte está aí para provar o contrário para eles...
    E o mundo sempre acha uma maneira de saber disso, às vezes, da pior forma, mas... Encontra.

    Obrigada pela visita.

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  4. E aí Lulis!

    Um texto bem composto, seguindo um estilo mais análogo. Gostei!

    Só tenho a acrescentar que não somente a morte nos iguala, mas também o objetivo de sermos felizes, que por sua vez é o amor e a atenção.

    Estou seguindo! Siga-me também.

    Um abraço

    brevescronicas.blogspot.com

    Anselmo

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  5. hehe ages como se tivesse brincando de deus

    www.cuchila.blogspot.com

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  6. "A morte será a saída ideal". Acredito que isso se passa com quem na vida se deu e procurou fazer o bem, o melhor de si. Não sei se para quem em vida costuma ser mesquinho e egoísta a morte seria a saída ideal, pois a amargura só gera ressentimento que nem a morte é capaz de satisfazer, por mais que ela tudo apague.
    abraços

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  7. muito bom mesmo!
    http://equalizeralive.blogspot.com

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  8. por incrivel que pareça tenho medo da morte por nao saber o ela é de fato.

    te seguindo, se puder retribuir.
    obg por visitar meu blog, é sempre uma honra ter você por lá, blog atualizado confira em, www.spiderwebs.tk

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Leia com atenção.
Não esquecendo que tudo é desenvolvido como poesia livre, seja uma crítica ou um ponto de vista.
Ninguém é obrigado a concordar, mas respeitar e ser sincero ajuda ^^